Aos 15 anos prometemos nunca nos separar, prometemos que continuaríamos as melhores amigas e igualmente inseparáveis. Tínhamos um sonho: aos 18 anos teríamos emprego e viveríamos juntas... continuaríamos a estudar, a sair, a fazer grandes jantaradas com o nosso pequeno grupo de amigos, iramos a muitos festivais de verão e conheceríamos muitas pessoas da nossa idade e faríamos novos amigos por todo o país. Promessas, promessas e mais promessas.
Actualmente sei no mais intimo de mim que já não somos as melhores amigas... deixámos de ser inseparáveis para passar a ser totalmente separáveis. Já não vivo para ela nem ela para mim. Ela foi viver com uma outra amiga, foi a muitos festivais de verão com todo aquele pessoal que foi conhecendo na minha ausência. Sai, diverte-se, fuma, bebe, curte a vida e vai curtindo-a com quem lhe aparece e é feliz - acho!
Hoje já não gosto de estar com ela. Com ela sou uma pessoa da qual não gosto: sou aquela miúda incapaz de dizer o que verdadeiramente pensa, que se ri com aquele seu sorriso amarelo e forçado, que tem vontade de virar costas e partir... Já não consigo falar com ela. Já não consigo abrir-me com ela. As palavras deixam simplesmente de fluir com naturalidade e todas as respostas são pensadas e nenhuma sai de forma espontânea.
«Sabes com quantas pessoas consigo ser verdadeiramente eu?»
Poucas. Tão poucas. As suficientes para que eu possa afirmar que os dedos de uma só mão chegam e sobram.
Não me é fácil gostar das pessoas e vivo com a certeza que são poucas as pessoas que sentem uma empatia para comigo ao primeira impacto. Não sou fácil. Gosto de me fechar e de me esconder atrás do meu escudo, mas quando gosto... GOSTO e aí o meu escudo cai por completo e resto só eu e o meu corpo desprotegido - um corpo que deixou de ter medo de se desiludir e de ficar com algumas cicatrizes!
A verdade é que poucas foram as pessoas que tiveram e têm o prazer (ou não) de me conhecer por inteiro. Poucas são as pessoas que têm o prazer (ou não) de me roubar uma forte gargalhada capaz de me fazer perder o fôlego e de me levar ás lágrimas de tanto rir.
«Percebes agora porque gosto tanto dele?»
«Percebo!»






