segunda-feira, 22 de março de 2010

Aviso: não me venham dizer que Filosofia é caca! (2)

Desde que o conheci (Atenção: estou a falar do meu mais-que-tudo, namorado blá blá blá o que lhe queiram chamar) nunca o tinha ouvido ou visto minimamente interessado em assuntos, problemas, questões filosóficas. Para ele como para muitos dos que se encontram inteiramente e intimamente ligados à Ciência a Filosofia é algo que não lhes interessa e que lhes provoca uma intensa comichão, confusão, entre outras coisas acabadas em ão, uma caca portanto. Mas houve um dia em que ganhei coragem e deixei de ter medo de cair no ridículo, nesse dia enquanto dois amigos dele ligados à Bioengenharia falavam sobre o conceito tempo ganhei coragem e perguntei-lhes como sabiam que o tempo existia, como podiam provar a sua existência, o porquê de ele ter surgido nas nossas vidas, questionando, argumentando, dissertando até chegar ao ponto de deixa-los sem resposta. Confesso: fiquei orgulhosa de mim mesma, porém tive medo que o facto de não me darem uma resposta se devesse ao facto de pensarem que não valia a pena darem-se a tal trabalho, visto que, para eles não passava de uma triste ignorante com a mania que sabia dizer alguma coisa. Por isso vi-me como que obrigada a perguntar-lhe: «Estou a fazer papel de burrinha? Diz a verdade, eu sou forte!» ao que ele me responde ao ouvido «Estou impressionado contigo e não, não estás a fazer papel de burrinha.». Sorri. Senti-me a pessoa mais confiante deste mundo e do outro (se é que ele existe) pelo menos naquela noite. Eu era a maior e continuaria a ser. Pela primeira vez vi aquele olhar. Encontrava-se orgulhoso de mim. Vi pela primeira vez que afinal eu até era boa nisto, apesar de não tirar notas superiores a 16 valores como o meu pai queria e apesar de não ter uma média superior a 14 - desculpa pai, mas nem todos podem ser como os filhos dos teus colegas e já agora Filosofia não é para quem quer é para quem pode.
Hoje, passada uma semana, voltei a sentir-me a maior. Voltei a ver aquele olhar fixo em mim, aquele sorriso de orelha a orelha que eu tanto adoro, aquele brilho nos olhos que me fazem pensar 'E é por causa disto que te amo!'. Já não sei como surgiu, mas quando dei por ela já eu estava a falar sobre a cadeira de Filosofia das Ciências e do Francis Bacon que defendia a ideia de que o conhecimento cientifico deveria permanecer num secretismo absoluto, ou seja, deveria permanecer nas instituições e entre os cientistas, isto porque, a sociedade não estava preparada para conhecer a verdade e a verdade nas mãos de ignorantes pode ser algo extremamente perigoso (isto antes dos anos 50).
(...)
«Vês potencial em mim?»
«Sim! Sempre vi, mas só agora é que tu estás a ver isso...»
«Eu vejo muito potencial em ti!»
«É disso que tenho medo... Que esse potencial me faça afastar de ti.»

E foi assim que descobri que partilhamos o mesmo medo.

Ps: Pois... Sim eu reparei. O post é grande comó caralho, mas foi o que se arranjou.

5 comentários:

Pinkk Candy disse...

mas medo do quê? se o teu pai te estava a elogiar e orgulhoso de ti!

=)

xoxo

Amélie disse...

Hum... Acho que te induzi em erro :S só fiz uma breve critica ao meu pai (o meu pai nunca olhou para mim assim, daquela forma... vive para me comparar aos filhos dos outros, acho que no fundo quer que eu seja algo que ele não teve a oportunidade de ser, enfim...)estava a falar do meu namorado e respectivos amigos :)

Beijinho

Pinkk Candy disse...

ahhh, percebi mal!!!

Kai disse...

Dá para ver como te sentiste bem por aquele orgulho. Aliás, não te censuro: quando nos esforçamos por uma coisa, e de repente alguém dá genuinamente valor a isso, é mesmo a cereja em cima do bolo..

Continua com esse poder de argumentação, para um dia me tentares deixar sem resposta! xD

Bju

Amélie disse...

Querido Kai o melhor de tudo não foi o facto de deixá-los sem resposta, mas sim o olhar dele, o sorriso dele, a expressão fácil... Tudo. Fez-me sentir especial :)

Ps: quando menos esperares esse dia chegará, não me chame eu Amélie XD

Beijinho