Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de agosto de 2010

Há dias assim... (9)




foto: Peter Zachary Voelker

«Sou livre. Fecho os olhos e penso com toda a minha força na minha nova condição, ainda que não esteja bem certo do que significa. Tudo o que sei é que estou completamente sozinho. Desterrado numa terra desconhecida, como um explorador solitário sem bússola nem mapa. Será isto a liberdade? Não sei, confesso, e às tantas desisto de pensar nisso.»

Haruki Murakami, Kafka à beira-mar

sábado, 14 de agosto de 2010

Será que a minha mente está dentro da minha cabeça?

Filosofia da mente é área da Filosofia que mais me fascina - sem qualquer ponto de dúvida. São tantas as questões, são tantos os problemas colocados e são tão poucas as respostas encontradas tanto pela Ciência Cognitiva como pela Filosofia. O que me leva a acreditar que tudo o que vejo - no mundo real e exterior - é pura realidade e não um mundo puramente criado pela minha imaginação? mas o que é isso de realidade? quem nos diz que não estamos neste preciso momento a ser controlados por um cientista maluco que controla todas as nossa acções, emoções e pensamentos como se fossemos meras marionetas? 
É-no fácil aceitar um transplante de coração, mas já se perguntaram o porquê de um transplante de cérebro ser algo de tão incomodativo para nós? Nota: ainda não é possível cientificamente fazer tal coisa, mas para o caso não interessa. Caso fosse possível a realização de um transplante de cérebro o que aconteceria ás nossas ideias? Continuariam em nós ou será que receberíamos as ideias da pessoa a quem pertencia o cérebro que em nós foi depositado? 
E ao ler cada página deste livro - Será que a minha mente está dentro da minha cabeça? - chego à conclusão que ainda há muita coisa que desconheço no que respeita à Filosofia da Mente e à Filosofia em geral. São tantas as correntes filosóficas, tantas as teorias filosóficas... Tanto para estudar, tanto para descobrir... Mas se assim não fosse que piada teria?

domingo, 11 de julho de 2010

O amor...

«Não é nada como o amor à primeira vista. Parece ter mais a ver com... os movimentos gravíticos. Assim que pomos os olhos em cima dessa pessoa, parece que subitamente já não é a terra que nos segura. É ela. E nada para além dela tem importância. Seríamos capazes de fazer e ser qualquer coisa por ela... transformar-nos naquilo que ela precisasse que fôssemos: um protector, um amante, um amigo ou mesmo um irmão.»


terça-feira, 15 de junho de 2010

Atenção: Não me venham dizer que Filosofia é caca! (5)

Neste meu intervalo de estudo lembrei-me de uma passagem que li, ontem à noite, no meu fantástico e hilariante livro Heidegger e um Hipopótamo chegam às Portas do Paraíso e decidi partilhar convosco, então aqui vai:

«Martin Heidegger, existencialista alemão do século XX, é provavelmente o filósofo moderno mais citado relativamente ao tema da morte. Formidável! Se ao menos percebêssemos o que ele diz.
Pensar no Ser em si requer explicitamente que se ignore o Ser, na medida em que é apenas fundamentado e interpretado em termos de seres e para seres como seu fundamento, como em toda a metafísica.
Perceberam? Nós gostamos especialmente da parte final, «como em toda a metafísica». E aqui vai outra:
O tempo não é uma coisa, por isso nada que seja, e no entanto mantém-se constante na sua passagem sem ser algo temporal como os seres no tempo.
Que mais podemos dizer? Apenas que esperamos que esta filosofia seja mais inteligível em alemão, um objectivo que ele parece insinuar noutra citação:
A língua alemã fala o Ser enquanto todas as outras se limitam a falar do Ser.
Mas depois também disse:
Tornar-se inteligível é suicídio para a filosofia.
Obrigado por tudo, Marty - devolveste-nos a auto-estima.
Precisamos de toda a ajuda possível, Daryl. Fazes alguma ideia do que ele está a falar?
Perdão?»

E foi assim que Amélie da Silva percebeu que afinal o problema de não conseguir perceber Heidegger não era dela, mas sim dele! 

sábado, 12 de junho de 2010

Aviso: Não me venham dizer que Filosofia é caca! (4)





Heidegger e um Hipopótamo chegam às Portas do Paraíso é uma das minhas últimas aquisições: «Dos autores do sucesso de vendas Platão e Um Ornitorrinco entram num Bar chega-nos uma nova aventura filosófica, desta vez uma viagem às Portas do Paraíso, apenas para se saber o que os grandes filósofos, teólogos, psicoterapeutas e tipos espertos têm a dizer sobre a vida, a morte e a vida para além da morte». E digo-vos: ler um livro de cariz filosófico, meus amigos, nunca foi tão, mas tão divertido!        


Ps: O exame de estética está feito, já só faltam três *.*
Ps2: Neste preciso momento deveria estar a ler uns textos da cadeira de Antropologia Filosófica, mas acho que mereço um dia de descanso, por isso, vou mas é ver a Fox.
Ps3: Não paro de pensar em como seria maravilhoso comer a minha lasanha acompanhada pela  bela da coca-cola em frente à televisão... Vou comê-la ^^


sábado, 29 de maio de 2010

Amélie, sua desgraçada (2)

Na quinta-feira à tarde depois do almoço enfiei-me na biblioteca da Flup com a certeza de que iria sair dali ao final da tarde a saber da frente para trás e de trás para a frente o capitulo 4 do livro A Contemporaneidade Como Utopia de Adalberto Dias de Carvalho e não é que passados quinze minutos já estava ali a espumar da boca que é como quem diz a morrer de sono? E não é que passados vinte minutos senta-se à minha frente um rapaz, que por acaso até era jeitosinho, a estudar algo que não tinha nada a ver com Letras? Fiquei tão curiosa que só descansei quando finalmente consegui ler 'Sebenta de Neurologia, Medicina, 4º Ano' e fiquei a perguntar-me: 'mas porquê que este gajo não estuda na Biblioteca da Faculdade dele? Será que os de Medicina são assim tão estudiosos que enchem a Biblioteca de tal maneira que o rapaz é obrigado a vir para aqui? É que parecendo que não a Faculdade de Medicina ainda é um bocado longe daqui...'. E depois lembrei-me de um amigo do meu namorado que está a estudar Medicina em Barcelona que é 'obrigado' a ir estudar para a Biblioteca sem as lentes de contacto para não se distrair com as raparigas que vão passando por ele.
Escusado será dizer que assim que olhei para o relógio do meu telemóvel já eram seis horas e eu ainda não tinha acabado de ler o tal capitulo... E não ainda não o sei, mas isso é porque já estou desde às 14 horas em frente ao computador a fazer coisas (des)interessantes que me impedem de estudar e....

img: Irisz Agocs

Olhem desejem-me boa sorte porque vou até ali ver se consigo finalmente estudar aquela porcaria. Ai desculpem, aquilo não é nenhuma porcaria eu é que ainda não captei a essência da coisa.

sábado, 17 de abril de 2010

L' homme qui marche I

E quando certa e determinada pessoa, nomeadamente eu, pesquisa no Google qualquer coisa como Alberto Giacometti o que é que fica a saber?



Ps: E o trabalho acerca do livro O Estúdio de Alberto Giacometti (ainda não tinha dito que tinha de fazer um trabalho acerca disto pois não?) está feito: fi-lo duas vezes, mas o primeiro trabalho foi directamente para o lixo que aquilo valha-me a nossa senhora... Não valia nada.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aviso: não me venham dizer que Filosofia é caca! (3)

Comecei ontem e não consegui parar. Já o tinha em casa. Já o tinha lido. Apeteceu-me. Mentira. Não me apeteceu nada. Tenho é de fazer um trabalho acerca do dito cujo, mas... Se na primeira vez que o li achei-o puramente fascinante, agora... Já nem sei o que hei-de dizer acerca dele, ainda para mais quando termina desta forma tão... Enfim, leiam:

"Perante um candeeiro, diz:
«É um candeeiro, é O candeeiro» E basta.
Esta rápida constatação ilumina o pintor. O candeeiro. No papel, irá existir com ingénua nudez.
Que respeito pelos objectos. Cada um tem beleza própria porque é «único», possui o insubstituível.
Mas não se trata de arte social, a arte de Giacometti, só por ele estabelecer laços sociais entre objectos - o homem e as suas secreções -, será antes uma arte de vagabundos superiores, a tal ponto puros que apenas o reconhecimento da solidão de cada ser e de cada objecto uniria. «Estou só, parece dizer-nos o objecto, cativo de uma necessidade contra a qual nada podeis. Se não fosse o que sou, seria indestrutível. Sendo o que sou, e sem reservas, a minha solidão reconhece a vossa.»"

Jean Genet, O estúdio de Alberto Geacometti.

(o outro excerto encontra-se aqui)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Amélie, aquela que tem sonhos estranhos

Ando a ler O Símbolo Perdido do Dan Brown e verdade seja dita: isto já me anda a fazer mal à cabeça. Porquê?

Então não é que não paro de sonhar com o homem das tatuagens (para quem não sabe e para não se sentir deslocado é o mauzão do livro e faz coisas que valha-me a nossa...bem não interessa, comprem o livro, leiam-no e depois digam de vossa justiça)? Já é a segunda vez que sonho com o sujeitinho (realmente tenho cá uma imaginação... Pena que só funcione (numa grande parte das vezes) à noite, mais precisamente quando estou a dormir), porém desta vez a coisa foi bem mais longe. Encontrava-me em frente ao armário da minha cozinha à procura das batatas fritas e de um saco plástico de carne descongelado quando recebo uma chamada. Atendo e era o homem das tatuagens a pedir-me (pedir deve ser a palavra simpática para a coisa, ai deve deve...) para levar sal grosso assim que ele me viesse buscar a casa. Eu como sou muito inteligente vi logo que a saca de batatas fritas num futuro próximo que é como quem diz passadas umas horinhas iria transformar-se na saca de carne e a saca de carne iria transformar-se na saca de batatas fritas (yah... isto tem cá uma lógica). Tocam à campainha e começo eu aos gritos não-sei-bem-para-quem: «Vamos fugir! Não quero morrer! Ele vai matar-nos a todos. Vamos fugir!»
Ninguém fez caso e lá tive de ir de arrastão até ao carro. Entrei. Andei uns 500m (bastante, portanto) até chegar ao prédio onde, por acaso, fica o consultório da minha dentista. Manda-me sair. Olho para o prédio. Era velho como tudo e as escadas eram feitas de madeira e faziam barulho ao caminhar. Cheguei ao primeiro piso. Encontro a minha prima mais velha com uma máscara feita com não-sei-o-quê de cavalo e diz-me: «Amélie esta tua viagem termina aqui!» ao que eu penso «Oh qui caralho...». Entro e lá está o homem das tatuagens e de repente... Estava eu ali, sozinha, desprotegida com aquele ser nojento e repugnante. Pensei «Aiiii... Ele está com a capa do velho que fez o Saw

«Amélie fizeste uma coisa muito, muito, muito grave da qual eu tenho a certeza absoluta de que não estás nada arrependida, mas que pela qual mereces ser castigada.» - Informa-me ao mesmo tempo que me enfia na cabeça uma coisa de metal (aquele coisa de metal que ele pôs à toxicodependente que teve de ir tirar uma chave que estava dentro do estômago (ou o raio) do homem que estava para lá estendido... que por acaso a imagem até deve ser esta)
«O que foi que eu fiz?» - pergunto-lhe.
«Amélie, então não é que andaste a dizer que as pessoas deviam todas ter dentes brancos?»
«Pois... Realmente não estou nada arrependida, não.» - pensei.

E pronto... Foi isto. Mais coisas? Huuummm... Para além de andar com enjoos, não se passa mais nada, não.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aviso: não me venham dizer que Filosofia é caca! (1)

Numa das primeiras aulas de Estética deste ano a Professora presenteou-nos com um pequenino excerto de um dos seus muitos livros. Ouvi a sua voz suave entrar pelos meus ouvidos, os meus olhos observavam e a mente gravava todo aquele gesticular meticuloso, distraído que lhe é tão próprio e que me faz (quase) sonhar acordada. Absorvi cada palavra e andei semanas e semanas à procura do tal livro e hoje já o tenho aqui, nas minhas mãos, e já posso partilhá-lo com vossas excelências:

«Na origem da beleza está unicamente a ferida, singular, diferente para cada qual, escondida ou visível, que todos os homens guardam dentro de si, preservada, e onde se refugiam ao pretenderem trocar o mundo por uma solidão temporária mas profunda.»

Jean Genet, O Estúdio de Alberto Giacometti